#MarchaPelaCiência

#MarchaVirtualPelaCiência #MarchaVirtualPelaPsicologia

O #JuntosABPMC convida vocês para essa belíssima marcha virtual por uma psicologia científica.

Junte-se à Sociedade Brasileira para o Progresso da CIência (SBPC), ao lado de nossas parceiras: Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), Sociedade Brasileira de Psicologia do Trabalho e Organizacional (SBPOT), Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (SBPH) e Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP). Participe!

Produção de conteúdos durante o período de quarentena: Compartilhe!

Você está envolvido em alguma iniciativa ou projeto de divulgação online (lives ou disponibilização de vídeos) que envolva Psicologia – e portanto, tenha embasamento científico – e temáticas relacionadas ao COVID-19 ou ao contexto da quarentena? O #JuntosABPMC está organizando uma maneira de reunir e divulgar todo conteúdo que está sendo produzido nesse período a respeito dessa temática, visando potencializar o alcance de tais materiais à diversas pessoas.

Para saber como participar, acesse: https://forms.gle/YU6Nkvna7qC526cg6

Participe e divulgue!

5 dicas que podem ajudar na rotina de crianças com TEA

Buscando uma forma de ajudar pais/cuidadores de crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) nesse momento de isolamento social, o time da TEDI (Terapias Especializadas em Desenvolvimento Infantil), em parceria com a ABPMC, preparou esse vídeo que contém algumas dicas – inspiradas no Autism Speaks – para passar por este período. Compartilhe esse vídeo e nos ajude a fazer com que ele alcance essas famílias.

Você pode conhecer mais sobre o trabalhado da TEDI pelo Facebook, Instagram ou através do clinicatedi@gmail.com.

#JuntosABPMC

Projetos de Atendimento Psicológico durante a Pandemia

Muitas questões de saúde mental apareceram ou se intensificaram durante a Pandemia do COVID-19. Por conta disso, diversos projetos foram desenvolvidos para oferecer serviço psicológico gratuito para quem estava precisando. Atenta a isso, a psicóloga Lais Nicolodi, colaboradora do Juntos ABPMC, compilou uma lista com os projetos que estão oferecendo esse serviço. Os dados estão disponíveis em uma tabela em que aparecem os seguintes dados: nome do projeto, publico alvo e formas de contato. A tabela ficará disponível ao público no link: Projetos de Atendimento Psicológico durante a Pandemia do COVID-19.

Caso conheça algum projeto que não está na lista ou queria divulgar o seu projeto, entre em contato com o Juntos ABPMC por meio dos comentários desse post ou pela aba de contatos do blog.

Vulnerabilidades e Covid-19: relatos, contos e desabafos virtuais.

Esse post é um depoimento e ao mesmo tempo, um convite. Que tal usarmos esse espaço para relatar situações de vulnerabilidade que estejamos vivendo nessa pandemia? Como lidamos com elas? O que tem funcionado? O que tem nos enfiado ainda mais dentro do poço? E ainda: será que como cientistas do comportamento, temos lições para dar e também para tirar de tudo isso? É fato sabido a maioria de nós entrará em contato com o vírus, e esperamos que a maioria se livre da forma mais aguda, desenvolvendo a doença de forma leve ou mesmo -para utilizar do linguajar médico – de forma frusta, ou seja, sintomas tão amenos que o próprio doente não se atenta para a presença da doença, o que nos torna agentes de transmissão ainda mais potentes. 

Como diminuir a aceleração positiva dessa cadeia infecciosa? Tomar o problema como “meu”  pode ser um passo importante: é “meu” porque para eu estar bem e feliz, o outro também precisa estar; é “meu” quando empatizo com aquele cuja infecção apresenta um desfecho diferente do vivido pela primeira autora, seja pela idade, comorbidade, pobreza e ainda outras situações que o colocam em maior vulnerabilidade; é “meu” quando percebo que amar o outro é fazer o bem para ele, cuidar dele, e abdicar das minhas necessidades de sair e encontrar quem amo a fim de proteger a minha comunidade. Conte pra gente: o que te mantém na quarentena, dentro de casa? Quais as contingências motivadoras e mantenedoras? É o medo de adoecer? De perder as pessoas que ama? De ser vetor do vírus? É só por medo? Tem amor envolvido? 

Quem nunca errou, que jogue a primeira pedra. Entre mortos e feridos, cá estamos: Brasil, abril de 2020. Classe média e alta tentando se manter em quarentena. Classe baixa lutando pra sobreviver. Nosso corpo se assusta quando ouvimos as palavras “ministro da saúde” e “presidente”. 

Mas nem sempre foi assim. Quando o Covid-19 se manifestou em um país distante em dezembro de 2019, vermos profissionais de saúde pela televisão usando equipamentos de proteção gerava tamanha estranheza que muitos de nós achava graça, o que nos mantinha alheios aos dados científicos apontando chances reais do vírus circular mundialmente, tornando-se uma pandemia para a qual não nos preparamos de forma adequada. 

Embora as ciências da saúde trabalhem pela promoção, prevenção e tratamento, no caso do Covid-19 ainda não existe a cura. Acompanhamos a história de outras nações e as estratégias que deram certo e outras nem tanto, mas parece que mesmo assim não tivemos o cuidado de nos prepararmos, por exemplo, para informar adequadamente a população da possibilidade do vírus chegar no país (antes de estarmos envolvidos emocionalmente), prevenir (pensando em compras de testes) e planejar o funcionamento do sistema de saúde, possibilitando ampliação prévia dos leitos para tentar um tratamento a todos. Nós quem? Nós, analistas do comportamento. Clínicos. Acadêmicos. Empresários. Somos todos treinados em técnicas científicas de modificação do comportamento, certo? Soubemos atuar em prol da saúde física e psicológica de nossos compatriotas? 

Conforme apontado no texto da Maíra Silva (publicado no blog ABPMC Comunidade), nos distanciarmos física e emocionalmente de qualquer estímulo relacionado à pandemia é uma forma de reduzir sofrimento, de se esquivar experiencialmente (ou como a Izadora Perkorski apontou no texto sobre vício em jogar online, escapismo – leia aqui). E tudo bem. Faz parte do enfrentamento de crises usarmos de esquivas experienciais para aliviarmos a tensão e nos redirecionarmos para novas ações (Linehan, 1998).  

O problema é quando fazemos só isso: fugimos tanto a ponto de fingir que o problema é só do outro. Até que ele passe a ser nosso e no caso da Maíra, meu

Depoimento: Maíra Mello Silva 

No dia oito de abril, descobri que já estava disponível no Brasil um exame de sangue capaz de detectar se a pessoa entrou em contato com o vírus e criou anticorpos. Meu resultado saiu em 20 dias … e deu positivo. 

Apesar de estar sem os sintomas há aproximadamente 30 dias, a sensação de angústia e culpa por ter sido um agente de transmissão de algo que pode ser letal a uma parcela da população foi grande. Por alguns minutos tentei relembrar todos os lugares que frequentei e as pessoas que tive contato. Quanto mais pensava na cadeia de transmissão sendo “eu” o vetor, mais me agitava e sofria. Só parei de piorar a situação quando resolvi aceitar o ocorrido e voltar meus pensamentos para o que de fato poderia ser feito no momento presente, quando o meu papel de “mosquito” transmissor da dengue já havia encerrado. Falei com todas as pessoas que tive contato para avisá-las desta possibilidade e continuei em isolamento em casa. Respirei fundo, permaneci em silêncio. Agradeci ao meu corpo por ter reagido suavemente ao Covid-19 e, e ao acaso por todos ao meu redor estarem bem. 

A minha história aconteceu em uma ordem temporal diferente da maioria das pessoas que relatam seu contato com o COVID-19. Não tive os sintomas mais característicos e impactantes. Apresentei dores nas costas, calafrios, pouca falta de ar que a princípio me parecia um processo alérgico, dores de cabeça, mas o que de fato me chamou a atenção foi a perda de olfato/paladar repentino dia 13 de março, que acreditei inicialmente ser algo de fundo neurológico. Demorei pra saber que esse também era sintoma do vírus. 

Depoimento: Liane Dahás

Vivi o início do alastramento do vírus de outra forma: acompanhando de perto os dados de saúde internacionais, assim como os esforços da classe médica brasileira na preparação dos nossos hospitais públicos e privados para o recebimento do que seria o cenário da pandemia, escrevi com colaboradores um manifesto (leia aqui) pedindo que meus colegas cientistas do comportamento se ocupassem de forma mais ativa e responsável da questão. Pedia que olhássemos para nosso papel de cientistas e de profissionais da saúde na promoção de um ambiente menos hostil para nossos compatriotas. Pedi moderação, calma e ação. 

E nessa semana tive minhas primeiras perdas: uma tia distante (idosa, já com a saúde bastante comprometida) faleceu por complicações no tratamento do coronavírus. No momento, duas tias próximas e muito queridas estão dividindo o apartamento em um hospital particular em Belém do Pará, tratando da mesma infecção. Perguntei como estavam: “Agora estou melhor. Até anteontem tava com uma tosse incessante, febril, e não completava a respiração”. Recebi pelo “zap”. E como estava entre quatro paredes, pude chorar, espernear, tremer, pedir colo. Mandei às favas a moderação, calma e ação que havia pedido? Não, pois o luto também pode ser feito com ação, calma e moderação. Processos de perda exigem justamente ações como essa, de aceitação do sofrimento. Toda vida tem seu valor, e cada um de nós terá sua parcela de sofrimento quando experimentarem vidas queridas sendo ceifadas pelo COVID-19.

Ansiosas pra a continuidade dos relatos,

Maíra Mello Silva e Liane Dahás 

Dicas de Cursos on-line

A Fundação Oswaldo Cruz de Brasília em parceria com a UnB disponibilizou no YouTube um Curso de Saúde Mental e Atenção Psicossocial em Situação de Pandemia. O curso apresenta diversas informações e reflexões úteis para todos os profissionais da Saúde Mental que estão enfrentando o desafio de lidar com essa Pandemia. 

O portal UNA-SUS disponibiliza cursos para profissionais da saúde de várias universidades públicas e institutos de pesquisa. Diferentes áreas da saúde são contempladas e podem encontrar informações sobre doenças e tratamentos de saúde.

Jogando demais na quarentena? O vício em jogar online durante a pandemia

Izadora Ribeiro Perkoski

Com essa estética fofinha, o animal crossing é sucesso entre adultos.

Mesmo em condições normais, os jogos digitais costumam ser mais poderosos em nos manter engajados do que a média das nossas atividades diárias. O ato de jogar online parece ser desafiador na medida certa, muitas vezes promovendo um tipo de interação social que intercala competição e cooperação de uma forma que não está presente nos nossos relacionamentos “na vida real”, o que nos coloca em contato com uma enorme riqueza de estimulações, sensações e sentimentos.  Se mesmo quando há opções concorrentes de atividades de lazer os jogos costumam ocupar uma boa parcela da vida dos jogadores, como uma escassez repentina dessas opções pode afetar o hábito de jogar?

Mesmo com a recessão iminente, a indústria de games tem quebrado recordes: a Steam, principal plataforma de jogos para computador, alcançou a marca histórica e recorde da indústria: 23 milhões de jogadores logados simultaneamente. Dos 10 jogos mais jogados no último mês, 9 são jogos multijogador online. O jogo Animal Crossing, para o console Switch, vendeu 1.8 milhões de cópias só no Japão nos três primeiros dias de lançamento.

O período de distanciamento se caracteriza principalmente por um empobrecimento geral do nosso ambiente (tanto físico quanto social). A maior parte das atividades que antes ocupavam nosso tempo e nos permitiam diversificar nossos hobbies estão, agora, indisponíveis. A situação também é abundante em fatores dolorosos: o bombardeio de notícias assustadoras sobre a pandemia e a crise econômica, incertezas acerca do futuro, problemas financeiros, a preocupação com a própria saúde e a dos entes queridos, por exemplo, são situações das quais podemos desejar nos desligar (escapismo). Essas características do momento atual são fatores de risco para diversos problemas comportamentais além do vício em jogos, e podem estar relacionados a problemas como ansiedade, depressão e ideação suicida em diversas populações.

O Terraria tem sido o meu refúgio em tempos de crise.

Encontrar formas de se distanciar de fatores que nos causam ansiedade ou estresse não é, necessariamente, um problema. Alguns jogadores de Animal Crossing tem escrito sobre como o jogo os ajuda a manter um senso de rotina (por ser um jogo onde a passagem do tempo ocorre proporcionalmente à passagem do tempo do mundo real) e criar pequenos “oásis” de paz em meio ao caos da quarentena. Similarmente, usar os jogos como forma de manter viva a interação com os amigos e família durante o distanciamento físico parece uma boa opção para manter os vínculos ativos.

Como reconhecer o uso não saudável dos jogos?

O número de horas jogadas por dia ou por semana nunca foi considerado o principal fator para decidir se há ou não um problema no nosso relacionamento com os jogos online. O critério mais importante é sempre a presença de prejuízo físico, emocional, social, profissional ou acadêmico.

Se uma pessoa passa a ter problemas no trabalho ou estudos, se ausentar dos relacionamentos importantes, negligenciar os cuidados consigo mesmo (ficar sem comer, sem dormir, sem tomar banho) ou experimentar sofrimento constante (ansiedade, tristeza ou outros sentimentos negativos) em relação aos jogos, é hora de observar mais de perto. Além disso, se outras atividades que antes eram prazerosas parecem perder a graça, isso também pode ser um sinal de alerta. 

Para caracterizar de fato o vício, é necessário que esses sinais estejam presentes de forma constante e persistente ao longo do tempo (dar aquela exagerada no fim de semana não necessariamente sinaliza um vício). Outra coisa bastante frequente é que os jogadores relatem não ter mais prazer ou não se divertirem mais com o jogo, mas continuam ou por tédio, por sentir que não há nada melhor pra fazer, ou por um senso de obrigação e compromisso com o jogo.

Formas de enriquecer nosso ambiente

Os jogos reúnem diversas  atividades altamente motivadoras em uma só situação: interação social, progresso contínuo, recompensas abundantes com oportunidades de engajamento em desafios frequentes, estimulação perceptual com riqueza estética (sons, imagens, música, personagens, história)… são raras as outras atividades da vida que conseguem unir todas essas características. Assistir um filme ou série pode ter grande riqueza estética, mas não tem desafio; fazer um curso online pode ser desafiador, mas tem poucos aspectos de interação social e diversão.

Diferentes jogadores se motivam por diferentes características dos jogos, então um primeiro passo é tentar se conhecer: por que eu gosto dos jogos que eu gosto? O que é mais importante pra mim em um jogo: a interação social, o desafio e progresso ou a exploração e descoberta? Responder a essas perguntas pode ajudar a encontrar outras atividades que despertem o interesse. Jogadores muito motivados por exploração e descoberta podem descobrir um mundo de possibilidades em histórias em quadrinhos, por exemplo. Jogadores que gostam de desafio podem aprender uma habilidade nova (artes, idiomas, uma linguagem de programação).

Um conselho que dou, como jogadora e como cientista, é: varie nos tipos de jogo que você joga. RPGs, jogos de tiro, simuladores de vida e até mesmo jogos analógicos (se você não mora sozinho, ou se pode jogar por videochamada com os amigos) podem ser opções interessantes para sair da mesmice.

Izadora Perkoski é bacharela em Psicologia, mestre em Análise do Comportamento e doutoranda em Educação Especial. Estuda, desde o mestrado, o desenvolvimento e uso de jogos para a Educação de uma perspectiva analítico-comportamental.

O Grupo de Trabalho Juntos ABPMC e a COVID-19

A atual pandemia tem proporções inéditas na história da humanidade. Apesar disso, já temos algum conhecimento científico,baseado em outras epidemias e também naquilo que rapidamente está sendo aprendido sobre essa. Os diversos campos de investigação científica estão nos guiando na tentativa de diminuir o número de infectados, mitigar os danos e conter a transmissão do vírus. 

Enquanto melhores tratamentos e novas vacinas são pesquisados, as medidas que melhor contém o vírus são o distanciamento social, lavar as mãos e alimentos e usar de forma correta equipamentos de proteção. Todas essas formas de prevenção têm algo em comum: são comportamentos. Nesse momento temos de aprender comportamentos novos (por exemplo: usar máscaras, lavar as compras antes de guardar), aprimorar comportamentos antigos (por exemplo: lavar as mãos com mais cuidado) e deixar de fazer coisas que estávamos habituados a fazer (por exemplo: sair de casa, praticar esportes ao ar livre, visitar amigos e familiares, frequentar aglomerações, etc). Além disso, precisamos aprender outras formas de tornar alguns comportamentos agradáveis na forma como eles se apresentam agora. Não é possível encontrar os amigos em uma festa, mas fazer uma video chamada com o grupo pode ser divertido, por exemplo, e cada pessoa e situação vai reagir de forma diferente a essas coisas sendo importante estar aberto para testar novas formas de interação. E existe uma ciência totalmente voltada para entender e facilitar essas mudanças no comportamento humano: a Análise do Comportamento. 

O projeto Juntos é uma iniciativa da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC) para o enfrentamento da pandemia de COVID-19 e suas consequências na vida das pessoas e relações humanas. Serão apresentadas aqui algumas soluções comportamentais para facilitar a adesão às medidas de segurança e diminuir problemas consequentes do distanciamento social. Também serão apresentadas outras iniciativas científicas que estão tratando de temas relacionados à pandemia. O presente grupo de trabalho busca novos caminhos para que a Análise do Comportamento enquanto ciência e a ABPMC enquanto instituição possam colaborar com a sociedade nesse momento. 

O projeto está aqui para lembrar que, apesar do isolamento social, estamos unidos por uma causa, e que comportamentos individuais têm impactos coletivos. Vamos juntos?  

#JUNTOSABPMC

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